DATASUS revela queda nas mortes por arma de fogo desde 2018 e desafia narrativa oficial
Os dados mais recentes do DATASUS, consolidados em dezembro de 2025 com o fechamento estatístico do ano-base 2024, trazem achados relevantes sobre os óbitos por projétil de arma de fogo (PAF) no Brasil. A análise da série histórica evidencia uma tendência clara de redução geral das mortes, a partir de 2018, com exceção do ano de 2020, marcado por fatores extraordinários ligados à pandemia.
O levantamento reforça a necessidade de que o debate público sobre armas de fogo seja conduzido com base em dados oficiais, e não apenas em narrativas ideológicas.
Tendência geral: queda nas mortes por PAF
De forma agregada, os números mostram que as mortes por arma de fogo vêm diminuindo de maneira consistente desde 2018, contrariando o discurso recorrente de que o aumento de armas legalizadas resultaria automaticamente em mais violência letal.
Essa tendência se mantém mesmo após o período de maior ampliação do acesso legal a armas no país, especialmente a partir de 2019.
Redução expressiva em mortes acidentais e agressões
No recorte específico do período 2019 a 2024, os dados do DATASUS indicam:
Redução de 43,8% nas mortes acidentais por arma de fogo
Queda de 11% nos óbitos decorrentes de agressões
Diminuição de 46% nos casos classificados como de intenção indeterminada
Esses números sugerem avanços tanto na responsabilidade do manuseio, quanto na qualificação dos registros e da prevenção, desmontando a ideia de que a ampliação do acesso legal teria provocado descontrole ou aumento de fatalidades não intencionais.
Suicídios e intervenção legal: alertas importantes
Por outro lado, dois indicadores exigem atenção específica:
Aumento de 13,8% nos suicídios com arma de fogo, com destaque para o fato de que policiais bateram recorde em 2024 nesse tipo de ocorrência
Crescimento de 80% nos óbitos por intervenção legal, com recordes sucessivos em 2023 e 2024, envolvendo ações policiais
Esses dados apontam para problemas que vão além da simples posse de armas, envolvendo saúde mental, condições de trabalho das forças de segurança, enfrentamento ao crime organizado e políticas públicas estruturais.
Dados oficiais não confirmam a narrativa do medo
À luz dos números do DATASUS, a narrativa de que “mais armas legalizadas significam mais mortes” não encontra respaldo empírico a partir de 2019. Pelo contrário: os dados mostram reduções relevantes justamente em categorias frequentemente usadas para justificar políticas restritivas generalizadas.
Isso não significa ignorar desafios reais, mas sim reconhecer que o cidadão cumpridor da lei, os CACs (Colecionadores, Atiradores e Caçadores) e os profissionais habilitados não são a origem do problema da violência armada no Brasil.
Um debate que precisa ser honesto e baseado em dados
Os números oficiais demonstram que o debate sobre armas precisa abandonar slogans simplistas e avançar para uma discussão técnica, responsável e transparente, considerando causas reais da violência, como o crime organizado, o tráfico ilegal e a ausência de políticas eficazes de prevenção social.
Como temos defendido reiteradamente, dados importam. E, neste caso, os dados do próprio Estado brasileiro apontam para uma realidade que desafia o discurso dominante.
ANCAC – União, responsabilidade e liberdade para seguir em frente.
Giovanni Barbieratto – Presidente da ANCAC